19 novembro, 2009

Sparks

P,

Hoje sentei-me no Largo do Carmo com a minha colega mais querida, a M. Atrás de nós, uma rapariga de gorro tocava viola. De início, apenas meneei a cabeça ao som dos acordes indefenidos, até que a M. os identificou: "É a No Woman No Cry", e fiquei rendida. Que momento bonito, de frente para um convento do séc. XIV, de frente para as luzes que o iluminavam, sentadas num banco de pedra. O Natal este ano em Lisboa será lilás e branco, a ti ainda não to disse. P., quando é que vens buscar-me? Quando é que te vou falar de Coldplay? Quando é que vamos percorrer as ruas de Lisboa - Rua do Carmo, Rua do Alecrim, Rua Augusta, Rua do Arsenal, de mãos dadas? Quando é que serei tua guia, porque deves conhecer ainda menos de Lisboa que eu? Quando poderemos sentar-nos no Largo do Carmo, no do Camões ou no Rossio, comigo a recitar-te livros? Comigo a dançar à chuva e a fazer-te rir?

O sol que tem iluminado Lisboa comove-me. Passeio no paredão no Estoril, sento-me e escrevo. Não a ti, mas ao meu querido G. O tempo passa e, por muitos anos que se sobreponham, nunca apaguei realmente ninguém do meu passado. Parecem estar todos aí, como portas entreabertas que nunca tive coragem de fechar. As luzes nocturnas da cidade... sinto-me tão boémia a subir a rua do Alecrim de mão dada com a M., a ver o Teatro da Trindade, as igrejas: Mártires, Loreto, Sagrado Sacramento (seria isto?), e dizer-lhe "Ahhh, é por isso que se diz cair o Carmo e a Trindade, são perto uma da outra!". Onde estás, para ouvirmos Coldplay juntos, nas docas, até ao amanhecer... eu com a cabeça no teu ombro, eu a dizer-te:

"Esta já era a nossa música em 2002...", ou maktub.
Seria...

Coldplay - Sparks

05 novembro, 2009

Agosto 2008

«Amor,

Só sei que queria estar de mãos dadas contigo agora, beijar-te as pestanas e esse bigodinho por fazer, dizer-te que tens que deixar de roer as unhas, alisar-te os caracóis com os dedos até adormecermos. (…) Eu ia ter tanto cuidado para não pisar nada demasiado frágil, para nunca te assustar ou afastar… ia ser tão difícil conciliar os nossos ideais, as nossas crenças, as coisas que respeitamos, aquelas a que damos importância, as minhas frases mal pensadas e a tua preferência pelo silêncio… mas havia de funcionar, se me amasses tanto como eu te amo, ia funcionar até ao último dia

02 novembro, 2009

Nem por um segundo largo mão da perfeição do teu desenho

Meu amor,

Quero ser grande ao ponto
de estar impressa nas fotografias que tiro,
de estar entrelaçada nos textos que escrevo,
de ser facilmente lida num poema que faça,
de ser lida em cada linha dos romances que tento acabar.

Meu amor,

Nem por ums segundo largo mão da perfeição do teu desenho,
meu príncipe.
Valeu a pena voar,
estava escrito...

Toranja, Fogo e Noite

01 novembro, 2009

You and I

Príncipe,

Descobri que a You and I que tanto adoro não é Michael Buble, é antes Stevie Wonder. Gosto mais dela agora, podíamos dançá-la na tal sala na penumbra, só iluminada pela luz da lua e da electricidade do exterior. Mas hoje fui visitar a Casa das Histórias da Paula Rego e percebi que não é o teu ambiente. Eu iria sair com pessoas que têm os mesmos interesses que eu e tu ficarias em casa, enterrado em trabalho ou a ver futebol ou política na televisão.

Meu amor,
(Não) Fomos feitos um para o outro.