Hoje sentei-me no Largo do Carmo com a minha colega mais querida, a M. Atrás de nós, uma rapariga de gorro tocava viola. De início, apenas meneei a cabeça ao som dos acordes indefenidos, até que a M. os identificou: "É a No Woman No Cry", e fiquei rendida. Que momento bonito, de frente para um convento do séc. XIV, de frente para as luzes que o iluminavam, sentadas num banco de pedra. O Natal este ano em Lisboa será lilás e branco, a ti ainda não to disse. P., quando é que vens buscar-me? Quando é que te vou falar de Coldplay? Quando é que vamos percorrer as ruas de Lisboa - Rua do Carmo, Rua do Alecrim, Rua Augusta, Rua do Arsenal, de mãos dadas? Quando é que serei tua guia, porque deves conhecer ainda menos de Lisboa que eu? Quando poderemos sentar-nos no Largo do Carmo, no do Camões ou no Rossio, comigo a recitar-te livros? Comigo a dançar à chuva e a fazer-te rir?
O sol que tem iluminado Lisboa comove-me. Passeio no paredão no Estoril, sento-me e escrevo. Não a ti, mas ao meu querido G. O tempo passa e, por muitos anos que se sobreponham, nunca apaguei realmente ninguém do meu passado. Parecem estar todos aí, como portas entreabertas que nunca tive coragem de fechar. As luzes nocturnas da cidade... sinto-me tão boémia a subir a rua do Alecrim de mão dada com a M., a ver o Teatro da Trindade, as igrejas: Mártires, Loreto, Sagrado Sacramento (seria isto?), e dizer-lhe "Ahhh, é por isso que se diz cair o Carmo e a Trindade, são perto uma da outra!". Onde estás, para ouvirmos Coldplay juntos, nas docas, até ao amanhecer... eu com a cabeça no teu ombro, eu a dizer-te:
"Esta já era a nossa música em 2002...", ou maktub.
Seria...
"Esta já era a nossa música em 2002...", ou maktub.
Seria...
Coldplay - Sparks
