Amor,
Sabias que quando o teu dia chega ao fim o meu também encontra a sua última hora? É como se subitamente ficasse sozinha, é como se soubesse que não importa os pensamentos que tenha, nenhum chegará a ti porque tu já repousas noutra dimensão que não a minha. É então que penso em ti, que evoco a tua imagem com maior nitidez. E é sobretudo quando me deito e me sinto rodeada da flanela dos lençóis, em pleno Inverno, que sinto mais a tua falta, mas é também quando te sinto mais perto. Gosto de pensar que um dia estarás a meu lado, e ficaremos até tarde na noite a discutir os assuntos do dia-a-dia. O facto de gostares de preto e eu de branco, de gostares de música e eu de ler, de preferires sentar-te na sala e eu na cozinha, de teres encontrado alguém que não vias há alguns anos, "Lembras-te?", dirias, e eu esforçaria a mente por um instante mas depois dizia-te "não, amor. Lembra-te que tu conheceste o mundo e eu só te conheci a ti". Será que discutiriamos muitas vezes, eu e tu? Será que poríamos de lado quem somos em prol de evitar essas mesmas discussões? Não. Gosto de pensar que todo este tempo é só uma forma de prepararmos tudo bem para um dia podermos ser felizes juntos. Espero que um dia me encontres no meu castelo no bosque, rodeada dos outros castelos, os de areia que elevei ao meu redor este tempo todo - quase 565 ausências de ti - e que me salves. Espero ter uma trança suficientemente forte para te erguer até mim. Espero nunca desistir de ti.
Amo-te.

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