Amor,
Há dias, há noites, horas e minutos em que não preciso de ti. Tu não estás aqui, como sempre, porque tens a tua vida para viver longe. E eu tenho um novo diário, com páginas em branco, para preencher com as amarguras de ti. Com as ausências de ti. Com o meu hábito de ti, que tu não cumpres porque estás sempre a fugir, sempre a meter outros à minha frente, à frente daquilo que poderíamos ser nós. Pela primeira vez, admitiste que faltava algo na tua vida ao dizeres que "sentes tantas saudades". Saudades de quê? Do que foi e já não é, aquilo que dizes que "ardeu" e que deveria fazer-te continuar mas não faz. E eu entendo-te: porque tu és fraco e eu sou fraca. Somos mais maus para nós próprios do que somos para os outros, mas isso não significa que não magoemos ninguém. Tu, provavelmente, ama-la, e eu não exito na hora de dizer que te amo. Porque tu sentes saudades dela, e eu tuas. Tu relembras os bons momentos com ela, e eu os momentos contigo ainda que, para ti, não tenham sido nada. Ainda que tenhas adormecido atrás de mim com um sorriso nos lábios, não era por mim esse sorriso. Provavelmente, era pelo que estava para vir. E hoje, estás com os teus amigos, aqueles que sabem mais de ti do que eu, porque eu não sei nada de ti - nem tu queres que eu saiba. Depois não me culpes por não saber. Não me culpes por não te conhecer.
Amo-te, mas hoje não sinto a tua falta.

Um comentário:
é o tu gostares dele e ele gostar dela. é o tu saberes dele e ele saber dela. não devemos culpar ninguém por isso, apesar da dor. cada vez mais compreendo isso.
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