Amor,
Coisas impossíveis: não existem. Impossível era termos conseguido passar naquele exame à rasca, aquele para o qual não estudámos. E passámos. E lembras-te quando íamos passar férias a Porto Covo? À última da hora fomos parar a Milfontes, e até havia quem lá estivesse estado no ano passado: boas e más memórias. E ainda este ano, chegámos à estação de autocarros à última hora e garantiram-nos que não poderíamos embarcar, e às tantas veio um vazio e levou-nos até Coimbra. Era impossível termos embarcado naquele autocarro, mas ficámos lá sentadas, na mesma mesa, a ouvir o empregado atrás do balcão murmurar alguma coisa sobre sermos malucos se pensávamos que íamos embarcar. E se esmoreci por um momento, descobri logo que não era impossível embarcarmos de facto. E embarcámos, quem diria. E agora tinha tanto nas mãos, o meu prazo de 31 de Dezembro estava nas minhas mãos, e tu puxas-me o tapete de baixo dos pés, como eu te teria feito, se fosse ao contrário, em nome de coisas que não dependem de nós. Enfim, às vezes falo como se estivesses mesmo ao meu lado. Como se gostasses de mim como eu gosto de ti, como se as tuas palavras caissem no vácuo, para comigo, como as minhas caem, para contigo. E tu foges, estás sempre a fugir de mim. Mas amor, não há coisas impossíveis.
Amo-te

Um comentário:
o impossível está, de facto, em quem acha que as coisas impossíveis são mesmo impossíveis. temos sempre o dom e a possibilidade de as tornármos possíveis, basta-nos querer.
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