05 março, 2010

Someone like you, someone like me (L)

Meu amor,

Fomos à festa da faculdade do J. Ias bem disposto, como sempre, com as tuas piadas. Notei que, quando te diriges a mim, as coisas têm outro tom. Quando dizes o meu nome, parece sempre que tem algo por trás. E, receio, não é bom. Creio que seja distância, creio que seja afastamento. Esqueceste-te que te amo? Ando a fingir bem demais que isso morreu em mim?

Ontem a A. disse-me, na sequência de uma conversa interminável sobre os nossos respectivos mais-que-tudo (no meu caso), será-que-é-mais-que-tudo (no caso dela), e ela disse-me:
- Sabes C, não te quero por coisas na cabeça... mas já pensaste que ele pode ser como eu sou para o V.? Não sei bem onde o por, mas eu gosto dele!
Com ela faz quantos? Pelo menos 3 pessoas me dizem que é impossível, ante a soma das pequenas coisas, que não gostes de mim. Lá que tivémos tanta coisa só nossa, lá isso tivémos... Mas porque é que, apesar de tudo, sinto que te perdi algures lá atrás, na estrada?

Hoje, enquanto assistíamos ao concerto na festa, via a tua silhueta, de costas para mim, a tua cabeça a mover-se ao som daquele cover de Kings of Leon: I hope it's gonna make you notice someone like me. E, perante o teu entusiasmo, não posso sentir outra coisa que não este amor infinito, desmedido, inexplicável e incondicional. O teu perfil, recortado contra as luzes vermelhas, púrpura, azuis, verdes, sorri a quem está ao teu redor. E há as tuas pestanas, meu amor, e o teu narizinho adorável. Depois, há este desejo dificilmente controlável que tenho por ti. Continuas a levantar-me da cama de manhã, a arrastar-me para todos os sítios, a fazer-me querer ser melhor. Quando estou aqui, agora, a escrever diante do computador com o cabelo apanhado no cimo da nuca, uma bandolete e os brincos compridos quase a tocar no ombro, penso: Quem me dera que ele estivesse aqui, às 5h28h que são, a me visse assim. Que diria ele?

A razão de ser deste post é, exactamente, aquilo que tu disseste:
Estávamos a sair da festa, à tua espera no carro, e tu decidido a ficar. Passei-te o casaco - melhor, atirei-to - e dei-te uma palmada na mão. Já me conheces, sabes que estava irritada. Não queria que ficasses, amor. E se te metesses em confusões? E se a encontrasses, aquela que parece que mais te marcou até hoje e que andava por lá? Mas, o verdadeiro motivo, é que é-me inconcebível que, quando eu parto, a tua noite possa continuar. É que, quando tu sais, a minha noite acaba. O carro ia arrancar e alguém grita na direcção onde seguiste há minutos:
- Olhem, lá vem ele!
E caímos todos na risada, contigo a correr de novo para nós à chuva. Penso: amo-o tanto, amo-o quando me ouve mesmo quando tem toda a legitimidade para discordar.
Entras, dizes: Afastem-se! Deixem-me sentaaaaar (gritas, esbaforido), 'tá ali um bacano que me quer bater - abres a porta e gritas lá para fora, para a rua deserta - Filho da puta!!! Arranquem, tranquem as portas, o bacano quer-me bater!!!
E a rua vazia, e a chuva a cair, e tu sentado a um metro de mim, e atiro a cabeça para trás, rio, rio, rio...
O meu amor veio comigo...

Depois, no decorrer da viagem, vais a embirrar com tudo e com todos. Às vezes sinto que não tenho o direito de te repreender, mas faço-o, chamo-te à razão uma vez mais. Digo, num suspiro:
- Rezo tanto para que vocês cresçam...
E é então que me iluminas o dia, a noite, a madrugada, o amanhã e a próxima semana quando dizes, sério:
- Oh C, também eu... e quando eu crescer e tiver juízo tu vais ser a melhor do mundo.

(E eu digo: Não gozes comigo - não estou a gozar - então nesse caso é bonito - eu não ando aqui para dizer coisas bonitas)

E é então que desço do carro e sorrio, entro em casa e faço o penteado que gostava que tu visses. Daqui a nada deito-me na cama onde gostava que te deitasses.

Meu amor,
Melhor do mundo...?
Eu queria ser tudo o que há de menos a ser,
desde que contigo.

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