24 maio, 2009

Compreender o Incompreensível

O que é que posso concluir de nós os dois, parecidos, mas não iguais?

Meu melhor amigo, sabes qual era a cena mais bonita que imaginava quando nos via juntos? Via-nos deitados no relvado da S. João Baptista, de costas, eu com a tua mão sobre mim, a apertar-ta, a acariciar-ta, a beijá-la ocasionalmente. E ao nosso redor, o mundo a continuar. E eu a suster a respiração, a sorrir para o céu, a demonstrar paciência, enquanto por dentro fervia de tantas outras coisas, sem deixar que nada da minha inquietude chegasse até ti.

Porque eu iria sempre acreditar que um dia havias de abrir os lábios e começar a contar a tua história - não histórias. E eu amava-te tanto que só queria poder estar lá para ouvir, quando te decidisses a falar, para que as tuas palavras não se perdessem e para que tu não perdesses a vontade de continuar a falar. Fechaste-te, quando eu tinha um mundo aberto à espera para receber os teus desabafos.

Agora falas-me em trinta anos.
Trinta anos, "é preciso paciência", dizes.
Trinta anos.
Penso e repenso.
Trinta anos é muito tempo.

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