Existe, no mundo inteiro, homem algum capaz de curar tristezas com dança? É uma cena que vejo e vejo na minha mente, uma e outra vez... Como hoje, enquanto dançava com a minha irmã a "As Time Goes By", Nat King Cole, ia-me perguntando isto mesmo.
Se existe um homem assim tão maravilhoso, está onde? Melhor do que um cavalheiro completo, seria alguém tão solto como este que aprendi a amar pôr um dia a tocar no gira-discos que haveríamos de ter este mesmo disco, Nat King Cole, e ao ouvir a "As Time Goes By", havia de me puxar para ele, de me segurar a mão na sua, de me prender pela cintura, de me deixar pousar a cabeça no seu ombro e de fazer o mesmo em relação a mim. E o seu odor seria envolvente, e estaríamos ambos sérios a valorizar um momento, quem sabe, único. Estaríamos às escuras em casa, a rua estaria apenas iluminada pelos candeeiros da noite tardia e, sobre um soalho de madeira iluminado pela lua, haveríamos de rodopiar devagar, devagar. Women needs men and men must have its mate, and that no one can deny (...) The world will always welcome lovers, as time goes by. Como o amo, como precisava dele num momento desses, que condiz tão pouco com o seu feitio. Quem saberia explicar este desejo? Porquê? Se funcionássemos, se ele me visse como o vejo, não seria suficiente para funcionarmos? Teria realmente que dançar com ele para fazer valer um instante com o qual sonho há anos e pelo qual, desconfio, esperarei uma vida inteira e com grandes riscos de sair decepcionada?
Não há nada como não amar e, não amando, não há nada que dê essa ilusão excepto, talvez, dançar.
"And when two lovers woo,
They still say I love you...
(...)
No matter what the brings
As time goes by
Moonlight and love songs
Never out of date
Hearts full of passion
Jealousy and hate
Women needs men
And men must have its mate
That no one can deny”

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