Deus nos livre de nos queimar-mos. Mas a pior forma de nos queimar-mos, seria descobrir fogo em nós e deixá-lo morrer. E se nos beijássemos, algum dia? E se essa realidade fugisse aos meus últimos pensamentos antes de dormir e viesse a existir num recanto qualquer? E se, com estrelas no olhar, noite cerrada, nos vissemos a par com silêncio, além das nossas respirações baixas, ansiosas, e com a mão do outro na nossa? E se, meu amor... isso te entusiasmasse tanto, te elevasse tanto, como me eleva a mim só de imaginar?
E se, um dia, eu mudasse por ti e tu mudasses por mim? E se eu aprendesse a poupar dinheiro? E se eu aprendesse a ouvir antes de opinar? E se eu aprendesse a ficar calada quando não sou chamada ao assunto? E se eu aprendesse a esconder as minhas simpatias? E se eu aprendesse a guardar os meus segredos, os nossos segredos? E se tu me ensinasses tudo isto? E se um dia tu ganhasses vontade de correr numa rua sem luz numa noite de verão, de braços abertos, a cantar a canção que te vai na alma? E se, meu amor, sentisses urgência de mergulhar no mar de madrugada? E se te posicionasses, se a tua opinião fosse tão veemente que não conseguisses omiti-la? E se começasses a ler livros e a discuti-los comigo? E se eu te ensinasse tudo isto?
Que perfeitos seríamos, meu príncipe, se me achasses marco a seguir. Podia ser os teus marcos miliares. Como queria poder dançar contigo, descalça, na praia, sob as estrelas. Como queria mergulhar no mar à noite, só os astros como testemunhas, nua, contigo. Como queria voltar a sentir essa liberdade. Como queria poder fazer amor contigo, sabendo que depois todas as portas estariam abertas, que depois eu seria a tua estrela polar e tua minha, que a nossa direcção seria a mesma, que não haveria embaraços nem arrependimentos, que tu nao eras assim nem eu sou assim. Meu amor...
Dá-me a mão, deixa-me beijar-te o pescoço ao de leve numa manhã nublada numa estação de comboios qualquer. Deixa-me apertar-te a mão enquanto deslizo para o sono. Deixa-me pousar a cabeça no teu ombro quando me emociono, no cinema. Deixa-me sorrir abertamente quando falo de ti, como se já não me estivesses vedado. Deixa-me pousar os lábios na tua tatuagem, deixa que me apaixone por ela, como acabei por me apaixonar pelo teu brinco, aquele tão irreverente que comecei por odiar. Deixa-me escolher não seguir os teus conselhos e errar contigo, quando ambos sabemos que seria melhor escolher outro caminho. Deixa-me dar-te os bons dias em italiano, deixa-me aprender a cozinhar para ser a mulher ideal para ti, deixa-me ser mãe dos teus filhos, deixa que guie a tua mão até ao meu ventre, deixa-te ser o mundo para mim, deixa que isso não seja doentio nem errado nem indesejado nem incómodo nem embaraçoso nem um contra-tempo nas nossas histórias pessoais. Deixa que os teus lábios conheçam de cor o sabor da minha pele e que as minhas lágrimas rolem nos teus ombros quando for preciso. Deixa que o sopro de vida em mim, que as correntes de memórias em mim, fluam para ti em noites de inverno. Deixa que o nosso império seja construído sobre o meu e sobre o teu suor, deixa que as consequências recaiam sobre os dois. Deixa que esteja ao teu lado, quando envelheceres. Deixa que te enderece cartas de amor sem incomodar ninguém, deixa-te até ficar feliz quando as receberes, com um beijo meu no verso. Deixa que o meu perfume seja aquele que achas que combina melhor comigo, e que a minha pintura flua do pincel ao sabor da inspiração que me trazes. Deixa que o carvão nos meus dedos te pinte e que esse quadro sejas tu e não uma fantasia minha. Deixa que tenhamos tempo para nos conhecermos e para conhecermos o mundo juntos. Deixa que os momentos que nos vi no passado ganhem sentido, sejam matéria e não vento, ilusão. Deixa que te ame, tanto como amo, sem que seja crime. Sem que mate, sem que fira, sem que doa, sem que embarace, sem que seja errar, sem que não esteja previsto nas entrelinhas do universo. Deixa que te ame, tanto como te amo, e deixa que este milagre tenha razão de ser e pernas para andar.
Meu amor....
Se o universo escrevesse romances ao invés de tragédias...
E se, um dia, eu mudasse por ti e tu mudasses por mim? E se eu aprendesse a poupar dinheiro? E se eu aprendesse a ouvir antes de opinar? E se eu aprendesse a ficar calada quando não sou chamada ao assunto? E se eu aprendesse a esconder as minhas simpatias? E se eu aprendesse a guardar os meus segredos, os nossos segredos? E se tu me ensinasses tudo isto? E se um dia tu ganhasses vontade de correr numa rua sem luz numa noite de verão, de braços abertos, a cantar a canção que te vai na alma? E se, meu amor, sentisses urgência de mergulhar no mar de madrugada? E se te posicionasses, se a tua opinião fosse tão veemente que não conseguisses omiti-la? E se começasses a ler livros e a discuti-los comigo? E se eu te ensinasse tudo isto?
Que perfeitos seríamos, meu príncipe, se me achasses marco a seguir. Podia ser os teus marcos miliares. Como queria poder dançar contigo, descalça, na praia, sob as estrelas. Como queria mergulhar no mar à noite, só os astros como testemunhas, nua, contigo. Como queria voltar a sentir essa liberdade. Como queria poder fazer amor contigo, sabendo que depois todas as portas estariam abertas, que depois eu seria a tua estrela polar e tua minha, que a nossa direcção seria a mesma, que não haveria embaraços nem arrependimentos, que tu nao eras assim nem eu sou assim. Meu amor...
Dá-me a mão, deixa-me beijar-te o pescoço ao de leve numa manhã nublada numa estação de comboios qualquer. Deixa-me apertar-te a mão enquanto deslizo para o sono. Deixa-me pousar a cabeça no teu ombro quando me emociono, no cinema. Deixa-me sorrir abertamente quando falo de ti, como se já não me estivesses vedado. Deixa-me pousar os lábios na tua tatuagem, deixa que me apaixone por ela, como acabei por me apaixonar pelo teu brinco, aquele tão irreverente que comecei por odiar. Deixa-me escolher não seguir os teus conselhos e errar contigo, quando ambos sabemos que seria melhor escolher outro caminho. Deixa-me dar-te os bons dias em italiano, deixa-me aprender a cozinhar para ser a mulher ideal para ti, deixa-me ser mãe dos teus filhos, deixa que guie a tua mão até ao meu ventre, deixa-te ser o mundo para mim, deixa que isso não seja doentio nem errado nem indesejado nem incómodo nem embaraçoso nem um contra-tempo nas nossas histórias pessoais. Deixa que os teus lábios conheçam de cor o sabor da minha pele e que as minhas lágrimas rolem nos teus ombros quando for preciso. Deixa que o sopro de vida em mim, que as correntes de memórias em mim, fluam para ti em noites de inverno. Deixa que o nosso império seja construído sobre o meu e sobre o teu suor, deixa que as consequências recaiam sobre os dois. Deixa que esteja ao teu lado, quando envelheceres. Deixa que te enderece cartas de amor sem incomodar ninguém, deixa-te até ficar feliz quando as receberes, com um beijo meu no verso. Deixa que o meu perfume seja aquele que achas que combina melhor comigo, e que a minha pintura flua do pincel ao sabor da inspiração que me trazes. Deixa que o carvão nos meus dedos te pinte e que esse quadro sejas tu e não uma fantasia minha. Deixa que tenhamos tempo para nos conhecermos e para conhecermos o mundo juntos. Deixa que os momentos que nos vi no passado ganhem sentido, sejam matéria e não vento, ilusão. Deixa que te ame, tanto como amo, sem que seja crime. Sem que mate, sem que fira, sem que doa, sem que embarace, sem que seja errar, sem que não esteja previsto nas entrelinhas do universo. Deixa que te ame, tanto como te amo, e deixa que este milagre tenha razão de ser e pernas para andar.
Meu amor....
Se o universo escrevesse romances ao invés de tragédias...

Nenhum comentário:
Postar um comentário