Ainda bem que não sabes o quanto me magoas, como se o Efeito Borboleta se personalizasse nisto que ocorre entre nós. A cada vez que fazes algo, ainda que a quilómetros, esse acto evolui como um maremoto e vem atingir-me aqui. Quando dizes algo que possa destroçar o meu peito, dividi-lo em mais cacos ainda, alguém se encarrega de o trazer, ainda que sem querer, até mim. Cheguei ao ponto em que não quero saber, debrucei-me sobre ele e voltei a inquirir tudo. Qual é a solução? Saber para te esquecer, ou saber, aceitar, chorar sobre isso, acordar com mais essa bagagem e amar-te ainda mais no dia a seguir? A cada vez que bates as asas, caio mais um pouco.
Agora a tua amiga lembrou-se de colocar uma legenda numa fotografia que diz “tratas-me como uma princesa, não estou habituada a gostar disso”. És tu, o meu príncipe, quem a trata como uma princesa? Estes longos meses em que vocês os dois parecem cozinhar-se a lume branco, com um passeio, um jantar e um almoço na vossa história, será uma preparação de um futuro, quem sabe, igualmente longo? Recordo-me de te ver, de te avaliar e de te tentar adivinhar um futuro antes de me apaixonar por ti. Recordo-me na perfeição da frase que me saía com toda a naturalidade “o G. vai acabar com uma loira burra”. Nunca compreendi muito bem isto. É uma escolha que se faz na vida, se queres ter alguém à tua altura a teu lado, ou se preferes ser o melhor, o mais inteligente, o mais responsável, o que ganha melhor, o que sabe tudo. Se é isso que queres, ser bom à custa de alguém menor, acabarás com a tal loira burra certamente. Mas espero que tenhas coragem suficiente para abraçar qualquer coisa maior. Como eu (e será isto presunção) há muitas outras pessoas maiores. Pessoas que vivem de aprender e de ensinar, de evoluir. Espero que alguém como eu, um dia em que sejas mais maduro, deixe de ser um desafio tão grande. É que eu mesma, com alguém como tu, seria claramente a mais burra, a mais ingénua, a mais desajeitada. E não me importo, isso importa-me em relação ao restante mundo, mas não em relação a ti. Por ti, abdicaria da minha posição de credível, porque todos prefeririam ouvir-te a ti ao invés de escutarem-me a mim.
Gostava de conseguir escrever algo que expressasse o que sinto, o ciúme, o sentimento de injustiça por parte da ordem do universo e, simultaneamente, o que me garante sã: a certeza que eu é que estou errada, tu não tens que bater as asas de acordo com os ventos que me são favoráveis, tens que viver a tua vida. O meu ciúme é problema meu, se acho que o mundo é uma vez mais injusto e faz maus arranjos, é problema meu. Eu sei disso, mas nada disto atenua a dor com que caminho agora diariamente. Será que foram jantar juntos? Onde está ele, estará com ela? Será que ela vai aparecer-me à frente num café qualquer? Será que, a qualquer momento, na página de redes sociais dela vai surgir uma foto contigo? Uma dedicatória a ti? Palavras que podem, ou não, ser alusivas a ti?
Trata-a como uma princesa, príncipe? Ela é a tua flor, no planeta B16? Coitada de mim, pobre raposa. Às vezes esqueço-me que o principezinho prefere ser picado por uma cobra e voltar para a sua rosa a ficar com a raposa. Sou uma tola, eu. Bem me dizem «nunca mais aprendes…»
PS – Eu mantenho-me sempre longe das pessoas quando não me quero envolver, como é que cometes a proeza de te aproximar das pessoas sem sentir nada, no final?

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