Ainda ontem eu estava a sentir-me em baixo - perdida, desapontada, deslocada, incompreendida - e estávamos os dois sozinhos no banco traseiro de um carro. Puxei a tua mão para o meu colo e apertei-a; precisava tanto dela. Deixaste durante alguns instantes, até te assustares e dizeres, do teu jeito, que eu estava doida, todos ouviram, todos se devem ter concentrado em nós e eu perdi aquele momentinho no qual me podias ter salvo o dia. Hoje apercebi-me que dificilmente me estragas um dia, mas tens grandes chances de mos poder salvar. Ainda tentei que entendesses, ainda te apertei a mão, ainda tentei recuperá-la, ainda tentei que não pensasses o que, entre outras coisas, podes ter pensado, e larguei. Não posso pedir que entendas o que nem eu sei explicar, por isso, entendo-te eu.
Em seguida discutimos isso, como habitualmente, sobre o facto de eu viver na lua e tu na terra, de não quereres que eu te tente mudar e eu a dizer-te que talvez um dia aceites confiar em alguém que te peça algo disparatado, sem explicações, e o faças de olhos vendados, e acredites, e saibas que, sendo para seu bem, e sabendo que a própria pessoa se preocupa com o teu bem, não sairás magoado, e a pessoa sairá renovada. Disse-te que ontem precisava de ti ali, naquele momento, e não soubeste ser porque as tuas raízes não saem da terra.
Hoje, cumprimentaste-me e notaste que estava triste - podia tentar dizer que me apertaste a mão por mais do que seria habitual, mas não quero arriscar-me a fugir à realidade novamente. O que importa foi a despedida: Eu não estava exactamente agradável, tratei-te de forma rude, virei-te de costas para mim e disse "hoje não te posso nem ver". Ainda assim...
Ainda assim, quando me decidi a estender-te a mão para nos despedirmos,
só eu e tu rodeados de costas de conhecidos,
Pegaste-lhe,
levaste-a aos lábios,
e beijaste-a.
Nunca vamos ter uma relação de apaixonados, de ele e ela, de "os tais". Mas, mesmo sem isso, posso abraçar-te, podes beijar-me a mão, posso beijar-te o rosto, podemos falar de tudo - ou quase tudo.
É só por isto que te amo.
Por encerrares os assuntos,
fechando o número mínimo de portas.
Ainda temos tantas abertas...
Mas hoje, só consigo pensar
Em como finalmente me surpreendeste,
e em como és grande.
Em seguida discutimos isso, como habitualmente, sobre o facto de eu viver na lua e tu na terra, de não quereres que eu te tente mudar e eu a dizer-te que talvez um dia aceites confiar em alguém que te peça algo disparatado, sem explicações, e o faças de olhos vendados, e acredites, e saibas que, sendo para seu bem, e sabendo que a própria pessoa se preocupa com o teu bem, não sairás magoado, e a pessoa sairá renovada. Disse-te que ontem precisava de ti ali, naquele momento, e não soubeste ser porque as tuas raízes não saem da terra.
Hoje, cumprimentaste-me e notaste que estava triste - podia tentar dizer que me apertaste a mão por mais do que seria habitual, mas não quero arriscar-me a fugir à realidade novamente. O que importa foi a despedida: Eu não estava exactamente agradável, tratei-te de forma rude, virei-te de costas para mim e disse "hoje não te posso nem ver". Ainda assim...
Ainda assim, quando me decidi a estender-te a mão para nos despedirmos,
só eu e tu rodeados de costas de conhecidos,
Pegaste-lhe,
levaste-a aos lábios,
e beijaste-a.
Nunca vamos ter uma relação de apaixonados, de ele e ela, de "os tais". Mas, mesmo sem isso, posso abraçar-te, podes beijar-me a mão, posso beijar-te o rosto, podemos falar de tudo - ou quase tudo.
É só por isto que te amo.
Por encerrares os assuntos,
fechando o número mínimo de portas.
Ainda temos tantas abertas...
Mas hoje, só consigo pensar
Em como finalmente me surpreendeste,
e em como és grande.

2 comentários:
gostei, só isso. lindo texto, vou ficar por cá...
gostei do teu texto.
tenhas ou não vivido o que escreveste, consegues senti-lo e colocá-lo em palavras.
muito bom
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