30 junho, 2009
Cartas de papel e tinta
27 junho, 2009
We belong together

Desde aí...
Usaste-a duas vezes quando geralmente a via, talvez, de três em três meses.
Hoje estavas com ela.
E eu, num esforço tremendo para não imaginar coisas nem lhes atribuir significados falsos, obrigo-me a ouvir a chuva lá fora e obrigo-me a recordar que, quando o vocalista da banda de tributo a Pearl Jam desistiu de murmurar "We belong together", e começou a gritar, a saltar, as luzes a acender e a apagar, a bateria a explodir, as guitarras a acompanhar, e ele a insistir:
We, we belong together. We belong together... We belong together...
Apesar das lágrimas, eu ia pensando:
No, we don't. No, we don't. No we don't.
E tu ali ao lado,
e nós que (não) fomos feitos um para o outro.
I wish I was a sailor with someone who waited for me...
Vamos ver Hi-five em tributo a Pearl Jam hoje, vem connosco, amor...
22 junho, 2009
Para fazer sentido
que anula todo o resto que era suposto ser suficiente,
e que era suposto fazer sentido.
já me tenho perguntado
Como é que os outros vivem sem ti?
21 junho, 2009
Complicações sem nexo
Bem, mas tu és tudo o que eu já vi de mais bonito... seja em que sentido for, pelo que entrei no campo dos clichés...
Para terminar, só quero que saibas que reparei que, quando mencionavas as datas de partida e chegada a Itália, que quando repetias duas vezes que este país é uma merda e que o sistema lá é melhor, que quando disseste que ainda ficas é por lá...
Desviaste propositadamente o rosto na minha direcção, pelo menos três vezes, para avaliar a minha reacção...
Tu sabes, porque eu já te disse, porque tu já me ouviste dizer a outros esta mesma frase:
«Sentir falta de alguém é a coisa pior que há, é como se, de repente, todas as ruas estivessem vazias...»
E tu sabes que vou morrer de saudades tuas, enterrada nestes becos vazios.
16 junho, 2009
Todo o tempo é pouco, por isso dizemos nunca
«Então, aquilo ontem?»
E tu, como é hábito, respondeste com uma pergunta. Perguntaste-me baixo, no teu tom mais intimista e menos defensivo, como se houvesse uma brecha em ti naquele momento:
«Gostavas de ter ido?»
Fui apanhada desprevenida, tanto pelo teu tom cúmplice e neutro (nem defensivo nem agressivo), como pelas implicações da pergunta. Se gostava de ter ido? Em que sentido? No de ver uma banda que não gosto e que tu sabes que não gosto? Ou no sentido de ter estado contigo e com os teus melhores amigos, que foram?
Mas dar parte fraca, eu? Nunca. Escudei-me da minha máscara mais fria e do meu riso mais sarcástico - ah, ah, ah - para te replicar, em autêntica mentira:
«Eu? Realmente, passei a noite inteira a lamuriar-me pelo facto de não ter ido convosco».
Que golpe em ti, que golpe em mim. Tu, que precisas de ser amado, e eu sei-o. Tu, que tens essa necessidade silenciosa de que gostem de ti, de que to digam, de que te façam sentir bem contigo e com o rumo que dás à tua vida (sem nunca, mas nunca o admitires: és demasiado orgulhoso para isso). E eu, a finalmente ouvir-te perguntar-me se tive saudades tuas, ou vossas, seja como for.
Perdes a compostura por um momento. Tinhas contado com o meu amor incondicional, não era? Eu disse-to, olhos nos olhos, e agora retiro tudo, bato em retirada, apago o que te prometi e lembro-te: tu disseste-me para não esperar.
Sim, príncipe inseguro, príncipe cheio de tempo que se dá ao luxo de o perder, tu disseste-me que o amanhã não se sabe, mas eu disse-te que seria cruel da tua parte não incluires um 'nunca' na tua rejeição, caso contrário ficaria à tua espera para sempre.
Não é que o tenhas incluído, com esse teu jeito para a diplomacia, mas eu disse-te que o tinha pressentido. E disse-te:
«Acabou aqui, ponto final, adeus, vou à minha vida, não espero mais por ti, não gosto mais de ti».
Sou tão mentirosa, não sou? A cada vez que me mexo na escuridão tu pressentes-me, sabes que ainda estou aqui, não sabes? E quando gritas para o escuro:
«Estás aí?»
Eu respondo-te, estupidamente:
«Não.»
15 junho, 2009
a vida escolhe por mim
quero dizer alguma coisa, porque escrever é o meu vício. é tanto vício que acabo por escrever o que não quero dizer e a admitir coisas que não quero pensar. paciência, penso, na hora fez sentido e o meu vício tornou-o real. quando não sei que música escolher, o computador escolhe por mim e, acidentalmente, começa a passar a wish you were here, pink floyd. ai, estas músicas que me recordam outros tempos. que me recordam a efemeridade em mim e a continuidade da nossa amizade. a vida escolhe por mim e, enquanto verifico no google se estou a escrever bem "efemeridade", aparece-me um texto qualquer brasileiro que me comove, duma rapariga qualquer doutro lado do mundo a dizer que, no dicionário, "efemeridade" surge como - tempo que vai do nascimento à morte; existência. e eu, que já sabia, penso: é verdade, é verdade. e depois afundo-me e venho ao de cima: eu, primeira pessoa do singular, que tinha mundos nas mãos e passava os dias a pensar em amor, censuro-me e vedo-me assuntos. proibo-me temas. fecho-me portas. não, não, não, digo. vive e não esperes. não leias mais romances lamechas ou lê-os todos, são deliciosamente patéticos. eu penso: tenho uma irmã chamada cláudia - c-l-á-u-d-i-a, e outra chamada a-n-a, que simples, e mais outros dois cujos nomes adoro. e eu, de repente, gosto de gelado de chocolate. de repente até tenho quase vinte anos. de repente, passei meses sem ler um romance lamechas e, subitamente, a vida escolheu que devia de ler um. de repente, a vanessa fica irresponsável e eu tomo responsabilidades por ela - acalmo-a, compreendo-a, aconselho-a a mais irresponsabilidades daquelas que nos fazem felizes: ó garota, pula, voa, cai, mas vive, digo-lhe. e ela segue, e é certo que esfola os joelhos e rimos as duas. mas vanessa, devia ter acrescentado, estou certa que o meu olhar acrescentou; vai acabar mal. eu sou bruxa, infelizmente, e sei que vai acabar mal. sou bruxa em tantos outros sentidos. e esta profissão que escolhi e que promete levar-me a todo o lado e a conhecer toda a gente? que ilusão. quem eu quero conhecer está num barco à deriva no mar e não sabe ou não quer escrever, não quer mandar mensagens. quem eu gostava de esquecer está-me gravado a sangue no corpo, são m, p, i, a, f, que gostava de riscar e não posso, seria imoral e antinatural. o que digo, já nem eu sei. de repente as palavras parecem-me tentadoras e quero usá-las. só agora, às 3h24 da manhã, fazem sentido. devia de escrever um poema como a tal sylvia plath que às 4h da manhã era muito mais produtiva. também eu sou. leio e releio as páginas que escrevi. 500 aqui, 300 ali, tantas outras inacabadas e eu penso: será que algum dia as palavras me levarão a algum lado? talvez o silêncio leve, porque o silêncio é tudo aquilo que não experimentei. talvez seja a solução.
entretanto, a vida que escolheram por mim grita-me aos ouvidos: 'sua estúpida, deita-te, amanhã tens uma frequência a uma cadeira à qual nunca assististe às aulas e que, apesar de ser com consulta, não possuis uma única folha que te possa auxiliar'. e apetece-me reclinar a cabeça para trás na cadeira e rir alto, rir tão alto, se não fosse tão tarde e não me chamassem louca, e dizer:
'vai-te foder, a minha vida escolho-a eu, e só a ela deixo escolher por mim. ainda hei de ler páginas de um jornal qualquer gratuito antes de me ir deitar. ainda hei de fazer zapping nos canais todos da televisão, ainda hei de ficar a olhar para o tecto e ainda hei de abrir o meu diário e escrever lá uma choraminguisse qualquer. ainda hei de ser eu antes de acatar a tua ordem e me ir deitar. ouviste? ainda hei de ser eu antes de me ir deitar'
13 junho, 2009
seis meses, são muitas mais semanas, dias e horas
tu vais-te embora, e eu vou ter que ficar aqui, sem ti, com as ruas vazias e as noites mais longas.
como eu luto contra isto...
e como isto me ganha sempre.
12 junho, 2009
Just as sure as not at all
Too many bitter tears are raining down on me
I'm far away from home
And I've been facing this alone
For much too long
I feel like no-one ever told the truth to me
About growing up and what a struggle it would be
In my tangled state of mind
I've been looking back to find
Where I went wrong
Too much love will kill you
If you can't make up your mind
Torn between the lover
And the love you leave behind
You're headed for disaster
'cos you never read the signs
Too much love will kill you
Every time
I'm just the shadow of the man I used to be
And it seems like there's no way out of this for me
I used to bring you sunshine
Now all I ever do is bring you down
How would it be if you were standing in my shoes
Can't you see that it's impossible to choose
No there's no making sense of it
Every way I go I'm bound to lose
Too much love will kill you
Just as sure as none at all
It'll drain the power that's in you
Make you plead and scream and crawl
And the pain will make you crazy
You're the victim of your crime
Too much love will kill you
Every time
Too much love will kill you
It'll make your life a lie
Yes, too much love will kill you
And you won't understand why
You'd give your life, you'd sell your soul
But here it comes again
Too much love will kill you
In the end...
In the end.
Too Much Love Will Kill You - Queen
11 junho, 2009
Momentâneo
10 junho, 2009
29 de Dezembro de 2008
Agora sei que nunca hás-de ter comigo as conversas que tive sozinha, através destas páginas [é o meu diário]. Agora sei que nunca foste feito para mim. E agora, quando oiço aquela música, a “Ache”, quando ele diz “Have I told you I ache for you?”, sei que sim. Quando me pergunto se fiz tudo o que podia ter feito, tudo não fiz, porque tudo é uma panóplia de coisas que não poderia fazer por diversos motivos, mas sim, fiz tudo o que estava disposta a fazer.
G, continuo desinteressada da maioria das coisas. Gosto de livros, gosto até de poesia. Escrever tem-me fugido, não sei escrever, tudo o que me sai é tosco, medíocre perto da fluidez com que às vezes escrevia. Perder-te, como perdi ao ter decidido pôr um ponto final na história que nunca o foi, roubou-me um tapete enorme debaixo dos pés. Não pensei que esse tapete fosse tão grande. De repente, já não me vejo com filhos, porque os meus filhos seriam teus. Receio que se fizesse agora o jogo da agulha, o objecto pendesse sobre a minha mão por um instante e, em seguida, parasse abruptamente - nenhum. Nem me vejo casada, como às vezes via. Vejo-me sozinha, a fumar à porta de casa e à espera de alguém que não conheço mas que me está pré-destinado e, momentaneamente, seremos um para o outro. Não para sempre – já não visualizo para sempres – tu serias o primeiro e o último, agora isso já não faz sentido. Vejo-me em Itália, agora sei que o meu futuro não é, definitivamente, em Portugal. O que tenho de fazer é estudar e largar este país. Agora sei que não há nada aqui para mim. Ninguém para me salvar, quando estou sozinha no pombal do meu quintal a fumar, a saber que o mundo podia parar para mim, mas continuava para todos os outros.
04 junho, 2009
Príncipe
E agora dizem-me que queres ter uma filha chamada Maria, é suficiente para eu sorrir, mas não para me trazer lágrimas aos olhos. Eu também quero uma filha chamada Maria, é provável que o saibas, por isso nunca o dirás à minha frente. A minha Maria seria em honra da tua mãe, assim como a tua. Mas isto já não é suficiente para me virar a cabeça. Agora, em vez de uma Maria a honrar a tua mãe, meu amor, haverão duas Marias: a tua, e a minha com alguém que eu ame muito. E nós estaremos lado a lado, uma madrinha é uma segunda mãe. Se não pude ser a primeira mãe dos teus filhos, terei todo o prazer em ser a segunda.
01 junho, 2009
Pedro Procura Inês

Em relação a este Pedro Procura Inês,
só posso dizer que nem todos os homens amam assim e que, amando,
se imortalizam e a ela.
Apesar disso, os corações estão tão mudados que receio que nem uma prova de amor como esta tenha o sucesso garantido.
Há tantas coisas no caminho...
Tantos caminhos que não ponderámos...
Tantos obstáculos que ignorámos...
Ainda assim, o amor é grande, a vontade é maior,
consegue-se qualquer coisa.
Admiro um gesto deste tamanho,
e admiro principalmente este Pedro por não desistir.
