10 junho, 2009

29 de Dezembro de 2008

Depois do Natal, parece sempre que o ano está acabado. 2008 foi um ano verde, foi um ano de esperança. 2009 é, à partida, um ano negro. Eu tinha-te dito que ficava em casa, e fico. Também tinha dito que não te falava mais, mas o meu interior ainda fala contigo, a fingir.
Agora sei que nunca hás-de ter comigo as conversas que tive sozinha, através destas páginas [é o meu diário]. Agora sei que nunca foste feito para mim. E agora, quando oiço aquela música, a “Ache”, quando ele diz “Have I told you I ache for you?”, sei que sim. Quando me pergunto se fiz tudo o que podia ter feito, tudo não fiz, porque tudo é uma panóplia de coisas que não poderia fazer por diversos motivos, mas sim, fiz tudo o que estava disposta a fazer.
G, continuo desinteressada da maioria das coisas. Gosto de livros, gosto até de poesia. Escrever tem-me fugido, não sei escrever, tudo o que me sai é tosco, medíocre perto da fluidez com que às vezes escrevia. Perder-te, como perdi ao ter decidido pôr um ponto final na história que nunca o foi, roubou-me um tapete enorme debaixo dos pés. Não pensei que esse tapete fosse tão grande. De repente, já não me vejo com filhos, porque os meus filhos seriam teus. Receio que se fizesse agora o jogo da agulha, o objecto pendesse sobre a minha mão por um instante e, em seguida, parasse abruptamente - nenhum. Nem me vejo casada, como às vezes via. Vejo-me sozinha, a fumar à porta de casa e à espera de alguém que não conheço mas que me está pré-destinado e, momentaneamente, seremos um para o outro. Não para sempre – já não visualizo para sempres – tu serias o primeiro e o último, agora isso já não faz sentido. Vejo-me em Itália, agora sei que o meu futuro não é, definitivamente, em Portugal. O que tenho de fazer é estudar e largar este país. Agora sei que não há nada aqui para mim. Ninguém para me salvar, quando estou sozinha no pombal do meu quintal a fumar, a saber que o mundo podia parar para mim, mas continuava para todos os outros.

Um comentário:

Pedro Vieira disse...

Estás a viver uma situação complicada, é compreensível. Mas não deves entrar em desespero. Eu sei o que é perder alguém, já o senti uma vez, até que aprendi a viver comigo mesmo. Tenho na mesma amigos, pessoas com quem posso viver bons momentos e ser feliz.
O que quer que tenha acontecido, vai em frente, e não fiques presa ao passado.