Eu e tu, no elevador, meu tudo. Na noite anterior tinha ficado ligeiramente ressentida por nos termos apartado. Foste lá para o teu concerto de gente a bater em latas enquanto eu fui ver tributo a Queen e deixar-me comover pela 'Too Much Love Will Kill You', sabendo que já me matou por causa de ti. E senti a tua falta - as sextas costumam ser nossas. No dia seguinte, nesse mesmo elevador, perguntei-te na minha maneira bruta de sempre:
«Então, aquilo ontem?»
E tu, como é hábito, respondeste com uma pergunta. Perguntaste-me baixo, no teu tom mais intimista e menos defensivo, como se houvesse uma brecha em ti naquele momento:
«Gostavas de ter ido?»
Fui apanhada desprevenida, tanto pelo teu tom cúmplice e neutro (nem defensivo nem agressivo), como pelas implicações da pergunta. Se gostava de ter ido? Em que sentido? No de ver uma banda que não gosto e que tu sabes que não gosto? Ou no sentido de ter estado contigo e com os teus melhores amigos, que foram?
Mas dar parte fraca, eu? Nunca. Escudei-me da minha máscara mais fria e do meu riso mais sarcástico - ah, ah, ah - para te replicar, em autêntica mentira:
«Eu? Realmente, passei a noite inteira a lamuriar-me pelo facto de não ter ido convosco».
Que golpe em ti, que golpe em mim. Tu, que precisas de ser amado, e eu sei-o. Tu, que tens essa necessidade silenciosa de que gostem de ti, de que to digam, de que te façam sentir bem contigo e com o rumo que dás à tua vida (sem nunca, mas nunca o admitires: és demasiado orgulhoso para isso). E eu, a finalmente ouvir-te perguntar-me se tive saudades tuas, ou vossas, seja como for.
Perdes a compostura por um momento. Tinhas contado com o meu amor incondicional, não era? Eu disse-to, olhos nos olhos, e agora retiro tudo, bato em retirada, apago o que te prometi e lembro-te: tu disseste-me para não esperar.
Sim, príncipe inseguro, príncipe cheio de tempo que se dá ao luxo de o perder, tu disseste-me que o amanhã não se sabe, mas eu disse-te que seria cruel da tua parte não incluires um 'nunca' na tua rejeição, caso contrário ficaria à tua espera para sempre.
Não é que o tenhas incluído, com esse teu jeito para a diplomacia, mas eu disse-te que o tinha pressentido. E disse-te:
«Acabou aqui, ponto final, adeus, vou à minha vida, não espero mais por ti, não gosto mais de ti».
Sou tão mentirosa, não sou? A cada vez que me mexo na escuridão tu pressentes-me, sabes que ainda estou aqui, não sabes? E quando gritas para o escuro:
«Estás aí?»
Eu respondo-te, estupidamente:
«Não.»
«Então, aquilo ontem?»
E tu, como é hábito, respondeste com uma pergunta. Perguntaste-me baixo, no teu tom mais intimista e menos defensivo, como se houvesse uma brecha em ti naquele momento:
«Gostavas de ter ido?»
Fui apanhada desprevenida, tanto pelo teu tom cúmplice e neutro (nem defensivo nem agressivo), como pelas implicações da pergunta. Se gostava de ter ido? Em que sentido? No de ver uma banda que não gosto e que tu sabes que não gosto? Ou no sentido de ter estado contigo e com os teus melhores amigos, que foram?
Mas dar parte fraca, eu? Nunca. Escudei-me da minha máscara mais fria e do meu riso mais sarcástico - ah, ah, ah - para te replicar, em autêntica mentira:
«Eu? Realmente, passei a noite inteira a lamuriar-me pelo facto de não ter ido convosco».
Que golpe em ti, que golpe em mim. Tu, que precisas de ser amado, e eu sei-o. Tu, que tens essa necessidade silenciosa de que gostem de ti, de que to digam, de que te façam sentir bem contigo e com o rumo que dás à tua vida (sem nunca, mas nunca o admitires: és demasiado orgulhoso para isso). E eu, a finalmente ouvir-te perguntar-me se tive saudades tuas, ou vossas, seja como for.
Perdes a compostura por um momento. Tinhas contado com o meu amor incondicional, não era? Eu disse-to, olhos nos olhos, e agora retiro tudo, bato em retirada, apago o que te prometi e lembro-te: tu disseste-me para não esperar.
Sim, príncipe inseguro, príncipe cheio de tempo que se dá ao luxo de o perder, tu disseste-me que o amanhã não se sabe, mas eu disse-te que seria cruel da tua parte não incluires um 'nunca' na tua rejeição, caso contrário ficaria à tua espera para sempre.
Não é que o tenhas incluído, com esse teu jeito para a diplomacia, mas eu disse-te que o tinha pressentido. E disse-te:
«Acabou aqui, ponto final, adeus, vou à minha vida, não espero mais por ti, não gosto mais de ti».
Sou tão mentirosa, não sou? A cada vez que me mexo na escuridão tu pressentes-me, sabes que ainda estou aqui, não sabes? E quando gritas para o escuro:
«Estás aí?»
Eu respondo-te, estupidamente:
«Não.»

2 comentários:
Obrigado pela dica dos Gotan Project. Na verdade já conhecia a música "Mi Confesión", já tinha ouvido na rádio.
Gracias! Bj
P.S. Sinceramente, nunca senti algo semelhante àquilo que tu sentes. Ele é um rapaz cheio de sorte!
Li o teu último texto e depois passei para este. Gostei muito do teu blog, tens textos maravilhosos muito ricos em sentimentos.
Parabéns.
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