No futuro, o idealizado que tinha e que às vezes me visita na imaginação, seria assim: eu descalça enquanto cozinho, de costas para o restante mundo, a ouvir Edith Piaf no rádio, de preferência no gira-discos. Enquanto enfrento a tarefa fastidiosa de cortar cebola, os meus olhos escorrem lágrimas que eu queria que fossem de felicidade. Se não forem, ao menos que não sejam de saudade. Que sejam só por estar a cortar cebola, com os pés descalços, um vestido e um avental, o cabelo preso e os óculos postos. Essa sou eu, em casa. Sou eu mal vestida, sou eu suada e não tão perfumada como quando saio, com o cabelo colado à testa a cada vez que me aproximo da panela. A comida pode sair mal, não te prometo que saia bem. Mas sairá tanto melhor como mais fundo em mim penetrar a voz da Edith.
Et ça me fait quelquechose...
(...) C'est toi pour lui pour moi, moi pour lui dans la vie.... il me l'a dit, m'a juré pour la vie...

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