17 agosto, 2009

O Principezinho


Cativaste-me, amor,

Mas não assumiste a responsabilidade de me teres cativado. De alguma forma, não tens culpa se a magia se desprende de ti. Parece que nunca nos iriamos entender, mas eu só precisava de uma ferramenta para arrancar com as nossas engrenagens e nos por ao mesmo ritmo, lado a lado: amor. Se eu tivesse o teu amor, os teus olhos como estrelas a fixarem-me, e se isso não partisse da tua inconstância como humano, mas da tua luz de apaixonado, eu unia-nos com laços de seda e beijos de cetim. Se eu soubesse que, se estendesse os meus lábios para os teus, tu não me deixarias cair no vazio do abandono, o meu rosto estaria sempre colado ao teu e eu teria desenhado estradas de amor e ternura em ti. Terias a minha marca em toda a tua pele, e a minha mão na tua a suspender-te do vácuo. Teria a tua mão na minha, a trazer-me à terra, e os braços abertos a flutuar no espaço. Se eu soubesse que o brilho do teu olhar era amor, e que a forma como o sorriso te foge para o canto dos lábios é gostar, é embaraço, é querer, eu abraçava-te para não mais te soltar. Prendia-me a teu lado para me deixar arrastar para onde quer que fosses, meu amor. As cartas que te vou dedicar seriam cartas de amor, e não cartas de amizade. Podia inverter o pretérito perfeito para um presente duradouro e repetir-te, por folha, cem vezes que te quero e cem mil vezes que te prometo ficar. Porque eu ficava contigo até ao último dia das nossas vidas, meu príncipe. Sou a raposa, não sou? A falar-te de sentimentos enquanto tu me falas das tuas viagens e da tua inconstância. No final tens de partir e eu que ficar, no final sou eu que sofro com a tua partida, porque tu desmantelas-te para não ficar. O principezinho tem lógica no mover-se, no correr universos e planetas e no aprender. A raposa tem lógica no amar, no sofrer, no prender-se. Somos eu e tu, príncipe e raposa, eu a querer-te e tu a explicares-me que motivos maiores te fazem partir. Se ao menos não fosses tão brusco, não recearia tanto abraçar-te. Se me olhasses daquela forma quando me aproximo, em vez de receares cativar-me mais ainda, as nossas almas estavam agora entrelaçadas com um infinito de lições a ensinar ao outro. Eu falava-te de amor, fala-me do mundo, porque eu não o conheço nem tãopouco compreendo. Eu a sussurar-te ao ouvido que te amo e nós a dormirmos abraçados. Abraça-me, porque ainda imagino, a cada vez que me deito, que é em teus braços que me refugio. Finjo que a minha pele é a tua e que a minha respiração é a tua, no meu ouvido. Finjo que a minha almofada é o teu peito, que segura dentro tudo o que tu és, o diamante em bruto que és. Melhor pessoa, melhor essência, melhor Homem.

Melhor tudo,
Meu amor.

Um comentário:

Anna disse...

Simplesmente belo, simples e apaixonante.
Parabéns, Célia, pela forma como escreves e te expressas, envolvendo-nos nesses teus pensamentos, que se tornam, obrigatoriamente e sem darmos conta de tal, os nossos pensamentos também.
Beijocas ** Ana Amaral