12 julho, 2009

Chocolat Cake

As coisas estão cada vez mais difíceis entre nós, não estão? Primeiro, digo-te para avançares com a tua vida - continua - esquece-a. Depois, quando o fazes e levas a outra a passear, fico desta maneira. A sentir-me traída, ciumenta, trocada. Apetece-me gritar: Eu já cá estava, pira-te.

Hoje voltaste a evitar-me. Portanto, podes ir dar voltas com ela, mas achas-me uma ameaça tão grande que não podes estar a sós comigo. Já tive pesadelos com isto, é verdade. Agora pu-lo por palavras e disse-to: Já entendi que tens medo de te apanhar sozinho comigo, eu não mordo, sabes? Também já não te quero entender, desisti. Se preferes ficar com alguém que te olhe como um resultado de equação e que acha que te compreende, em vez de investires na nossa amizade, que é só isso, mas na qual eu entendia cada uma das tuas incógnitas e dos teus equivalentes e dos teus iguais e das tuas fracções, então fica com ela. Dêm passeios, marquem ruas e lugares e horas do dia como vossos. Só me pergunto: como pudeste? Como pudeste achar graça a uma rapariga oca que queria largar a escola para ser modelo e que é péssima aluna numa escola particular e que se veste como todas as outras e que deve sonhar com discotecas e fama? Como é que nunca viste futuro em nós?

E agora sou eu que me surpreendo: eu sabia, eu sabia, eu sempre soube que eu e tu não íamos dar nunca, não fomos feitos um para o outro, somos difíceis, os dois. Mostras-te a mim, como és. A elas mostras o teu lado bom, o teu lado confiante sem as oscilações e as fugas à normalidade. E é disso que ela gosta, porque é só isso que ela sabe de ti. E, se vocês se juntarem realmente, eu afasto-me. Que lição que tens sido. Que especial que foste. Só consigo podia ter uma conversa assim:

Tu: queres entender-me, mas eu sei que é difícil, e eu dou-te pistas mas tu não entendes.
Eu: não estás é tu a entender, eu NÃO QUERO entender-te, desisti, estou farta.

Só um bolo de chocolate podia aliviar-me do facto de não me ter despedido de ti na Tasca. A nossa Tasca, onde comecei a gostar de ti, onde tivémos tantos momentos, onde me disseste algumas daquelas coisas bonitas onde, para bem ou para mal, me ensinaste a fumar e depois me aconselhaste a não o fazer. A Tasca, que fechou, reabriu hoje. Hoje, e eu estive lá contigo, eu fui para lá contigo. E, quando me vim embora, vinha tão despedaçada, que nem te disse adeus.

Em que é que estamos a cair e,
mais importante,
Será que me importo?

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