Antigamente,
Quando me sentava a teu lado e me punhas a rir, eu batia-te e tu fugias. Esfregavas o braço, dizias «tenho que me ir embora daqui». Agora deixas-te ficar. Agora, enquanto falo contigo, ouves-me, do início ao fim, não foges a meio. Agora, de quando em quando, pões-te de pé, não te afastas, olhas para mim, sorris, fazes piadas e contas coisas que te ocorrem no momento e que só fazem sentido para mim. Agora, quando alguém te diz algo significativo, que despoleta em ti qualquer emoção, o teu cotovelo chama o meu braço, o teu olhar reclama pelo meu, o teu sorriso quer acordar o meu. E eu fico ali, a teu lado, enquanto ficas também, meio derretida, meio noutro mundo, inebriada, embriagada de felicidade, a ouvir-te contar o que quer que seja, a sentir a tua pele roçar a minha ocasionalmente, a desejar que não fujas, que desta não vás embora, que eu não te espante, mesmo sem deixar de ser quem sou. Mas, por algum motivo, há uma voz inexplicável que, cá de dentro, me garante que desta vez não vais a lado nenhum.
E eu amo-te,
Príncipe, «você traz felicidade»
(Numa última discussão, disse-te que te aceito tal como és, pedi-te que me aceitasses da mesma forma. E tu, entre os nossos esbracejos, disseste a seguinte frase, que não têm saído da minha cabeça: «eu também posso mudar», tu, o homem do «eu não vou mudar, não preciso de mudar, não tenho que mudar para pôr ninguém feliz»).

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