18 maio, 2010

Smoke gets in your eyes

"All who love are blind".

Primeiro, as conversas, as palavras, as insinuações, os sorrisos, os rostos corados, os embaraçados:

P: Ouvi dizer que o G. é o amor da C., não é verdade?
G. e C. em silêncio, entreolham-se sorridentes e corados.
P: Ou é ao contrário?
C. ainda mais ruborizada, procura os olhos do G., ruborizado, e silêncio.
P: O que é que há aí? Vê-se que há aí coisa...
C, desesperada por fugir dali:
C: Claramente, nada!
G. em silêncio.
P: Com que então o G. é o amor da vida da C...
J. (pondo-se de pé e sorrindo) Eu ouvi dizer que era mais ao contrário, mas enfim...
C., A. e V. entreolham-se meio espantadas meio a sorrir.
P: G. Vocês eram um bonito casal, o G. é inteligente, a C. também é inteligente?
Assistência em silêncio, C. e G. corados, a apertar as mãos no colo e a sorrir para o tecto.
C: Os nossos filhos iam era ser anãos, somos os dois baixos.
G: Era (em tom ofendido).
P: Vocês eram um bonito par. C., se namorasses com o G. e ele apanhasse estas bebedeiras de sempre, o que é que fazias?
G. espera pacientemente, C. revira os olhos, fita o tecto, coloca-se a pergunta de sempre: deixava-o? Não. Discutia? Não. Fazia-lhe um ultimato? Não.
C: Batia-lhe, dava-lhe uma coça (embora saiba que não).
P: G., se a C. namorasse contigo deixavas a bebida?
Preparo-me para ouvir a explosão de riso sarcástico e o habitual «eu sou livre, não deixo de fazer nada por ninguém, ora essa», e oiço, ao invés, um introspectivo:
G: Eu por uma mulher destas fazia tudo.
C. sente o coração dar três piruetas extremamente perigosas e sente vertigens. "Não quer dizer nada", repete.
(Pouco depois)
G: Vou-me embora, é tarde.
P: Vais-te embora G.? Não dás um beijinho à C.? Vá, dêem lá um beijinho...
C. ignora completamente o que o G. diz a rir e, antes que ele tenha ideias, ordena-lhe que vá embora com um gesto impaciente. Com um sorriso insinuante, G. declara:
G: Eu ainda vou vê-la hoje (isto às duas da manhã).
Ao que P., com naturalidade, retribui:
Justificar completamenteP: Ah, hoje vais lá dormir a casa, C.? O que diz o pai dele disso?

Agora, oh príncipe sem coração, retira as falsas verdades daqui. Retira a brincadeira, retira o sarcasmo, a ironia, a brincadeira pura, as armadilhas, os teus testes. Tira tudo o que não é verdade, tudo o que não seria assim, tudo o que não são planos, vontades, embaraço, tudo o que não é amor, e deixa-me sem nada.

Não dês mais pontapés no meu peito, ele já não bate a um ritmo regular.

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